| Rússia:
encerradas Jornadas Comemorativas do Dia Do Herói Nacional
Um
recital de poesia seguido da exibição do filme
“Na Cidade Vazia” da realizadora Maria João Ganga marcou
hoje, Quinta-Feira, em Moscovo, o encerramento das jornadas
comemorativas do “17 de Setembro”, Dia do Herói Nacional,
no seio da Comunidade Angolana na Federação da
Rússia.
O programa das jornadas, organizadas pela Embaixada de Angola
na Rússia, foi, igualmente, marcado pela “Semana do Livro
Angolano”, de 1 a 8 de Setembro, que envolveu a participação
de Angola na XVII edição da Feira Internacional
do Livro de Moscovo, garantida pelas editoras “Chá de
Caxinde”, “Kilombelombe”, pelo Instituto Nacional do Livro e
do Disco (INALD) e pela Associação dos Editores
e Livreiros Angolanos (AELA).
No âmbito da “Semana do Livro Angolano em Moscovo” realizou-se
um colóquio sobre a cultura nacional em que foram oradores
o escritor Abreu Paxe e o crítico musical e professor
universitário Jomo Fortunato, que apresentaram as comunicações
intituladas “Situação do Movimento Editorial Angolano”
e “Contribuições à história da música
popular angolana”, respectivamente.
No dizer de Abreu Paxe, o vencedor do Prémio “António
Jacinto”/2003, “é indesmentível a forte vontade
dos escritores angolanos em empreenderem e em fazerem, cada
vez mais, emergir os altos valores culturais do seu povo e dá-los
a conhecer nos mais sólidos palcos deste mundo cada vez
mais globalizado”.
Todavia, Paxe acrescenta que é preciso que se saiba que
o escritor, em Angola, ainda é tratado com muita pouca
nobreza.
“Assim também o são os que produzem, editam e
distribuem os livros. Não é pouco verdade ainda
que o são os seus agentes periféricos: as bibliotecas,
as escolas e em última instância o livro”, conclui
o jovem escritor.
Por sua vez, Jomo Fortunato, na sua comunicação
“Contribuições à História da Música
Popular Angolana”, um estudo que se situa entre os anos 50 do
século XX até a presente época, afirma
que com o fenómeno colonização, em Angola,
surgiu o crescimento das cidades, criando-se à volta
delas, grandes aglomerados populacionais, designados “musseques”.
O “musseque” (expressão que em língua nacional
kimbundu significa onde há areia, por oposição
à zona asfaltada) é o espaço de transição
entre o universo rural e a cidade, e o laboratório textual
das canções que absorvem as expectativas do ambiente
cultural urbano.
Assim, Jomo refere que a temática das canções
que têm resistido ao tempo evocam situações
que decorrem de conflitos cuja génese e formato especial
se projectam nos “museques”: o filho desaparecido no mar, a
garota de mini-saia, o assédio sexual entre o patrão
(branco) e a criada (negra), os conflitos conjugais, a infidelidade
amorosa, a condição da lavadeira, o feitiço
e o enfeitiçado, o lamento da infância e a concretização
da praga anunciada, são alguns dos temas recorrentes
glosados nos textos das canções angolanas.
Fazendo recurso a excertos de faixas musicais para melhor ilustrar
os diferentes capítulos da sua comunicação,
Jomo Fortunato revelou que as turmas, pequenas formações
que se emancipavam de forma alternada dos grandes grupos carnavalescos,
foram o embrião da grande maioria dos grupos musicais
angolanos que passaram a dominar musicalmente as cidades.
“Muitos cantores angolanos são originários das
turmas e tiveram nestas micro-agremiações o seu
ambiente de aprendizagem. Outros, muito poucos, tiveram a catequese
missionária, a Casa dos Rapazes de Luanda, a Casa Pia
e os grupos corais da igreja como suporte de ensino” – descreve
Jomo Fortunato, que é, igualmente, Director do Instituto
Nacional do Livro e do Disco (INALD).
As jornadas comemorativas do “17 de Setembro” envolveram, também,
a realização de encontros entre a delegação
de escritores e editores angolanos com a Direcção
da União dos Escritores da Rússia e com especialistas
do Instituto África da Academia de Ciências deste
país do leste europeu, em que foram afloradas várias
questões de interesse comum, sobretudo no domínio
editorial.
Sector de Imprensa na Embaixada, 07.09.2004.
Embaixada da Angola na Rússia, 2004
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