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RELEVÂNCIA SOCIAL DO JORNALISMO ECONÓMICO*
Por TÓ BRAGANÇA**
Queridos colegas e amigos,
Minhas Senhoras e Meus senhores!
Das terras gélidas da Rússia onde desempenho as
funções de Adido de Imprensa e de Cultura da Embaixada
de Angola, venho com grande satisfação associar-me
aos festejos do 10º Aniversário da nossa Ajeco (Associação
de Jornalistas Económicos de Angola) que tem um desempenho
e uma capacidade de intervenção notável
na vida social do País.
Com efeito, a Ajeco mantém-se coerente aos seus princípios
e consolidou a nobre atitude de tudo fazer para a formação
e/ou superação técnico – profissional contínua
dos seus membros e não só, ao tornar sistemática
a realização de cursos, seminários, palestras
e conferências como a que se realiza neste momento.
Por tudo isso e com a honestidade que se exige, num perfeito
sentimento de justiça, felicito calorosamente os distintos
parceiros da Ajeco, a sua Direcção e o seu Presidente,
o meu colega, amigo, companheiro de longas e difíceis
caminhadas da vida, camarada no verdadeiro sentido da palavra,
Messias Constantino.
Peço a vossa indulgência para uma grande salva
de palmas em homenagem ao trabalho perseverante desenvolvido
pelo colega e amigo Messias Constantino na condução
dos destinos da Ajeco.
APOIO PARA TOMADA DE DECISÕES
“O Direito Social à Informação e o Direito
de Opinião - constituem dois dos principais pilares
da Democracia Contemporânea. As lutas sociais pela Democracia
carregam, na dinâmica que lhes é inerente, o direito
de saber o que está a acontecer a sua volta, porque sem
o acesso ao facto histórico, o homem não passará
a protagonista da acção social” (Medina, 1986:
133).
Cremilda Medina no seu livro “Notícia: um produto a venda
- jornalismo na sociedade urbana industrial.
Estimados Colegas,
No desenrolar do seu desenvolvimento histórico, os meios
de comunicação passaram por diversas transformações
até chegar às características actuais.
E numa sociedade cada vez mais complexa como a nossa, eles assumem
uma função de grande relevância, ou seja
o papel de mediadores entre os cidadãos e as instâncias
de poder da sociedade.
Conscientes deste potencial adquirido pela mídia, vários
sectores da sociedade já se deram conta da importância
de usufruírem das potencialidades desses meios. Por isso,
muitos daqueles que têm aspirações políticas
e de negócios almejam estar em consonância com
esse campo de encenação pública para terem
maiores possibilidades de pôr em prática os seus
objectivos.
Por tudo isso, percebemos que para se debater qualquer questão
de relevância social, na actualidade, é imprescindível
ter como intermediário os Mass Media.
O desenvolvimento dos meios de Comunicação Social,
no século XX, trouxe uma nova e importante dimensão
para o debate da função social da comunicação,
na medida em que esta acaba por implicar de modo sistemático
nas formas de organização da sociedade.
Segundo Mitchel Kunczik (1997) os meios de comunicação
social, são considerados a base do poder de persuasão
com a capacidade de propagar ideias sobre a realidade, de maneira
bem particular.
O enorme potencial de poder atribuídos a esses meios
é resultante, de acordo com Kunczik, dos processos actuais
da sociedade moderna industrial por terem se tornado extremamente
complexos e por vezes incompreensíveis para a maioria
das pessoas.
Através desses meios é possível vislumbrar
experiências alheias, como pode-se auxiliar, também,
na interpretação dos acontecimentos. É
por isso que os meios de comunicação social tornam-se
tão atraentes.
O jornalismo oferece informações que podem ser
adicionadas e combinadas até formar uma base informativa
útil que permita tomar decisões, seja ao nível
político ou económico- empresarial.
E neste seu papel de apoio a decisão, a matéria
jornalística deve apresentar algumas características,
como credibilidade, oportunidade, precisão, abrangência,
consistência que, em conjunto, produzem a sua propriedade
fundamental: a utilidade.
Não se pode compreender o jornalismo tomado isoladamente
dentro da economia. O jornalismo não somente faz parte
da economia como a manifesta explicando a sua dinâmica,
o que significa difundir os factos directamente económicos
e ou de negócios e factos indirectamente económicos
em forma jornalística.
É certo que o jornalismo económico é aquele
que melhor expressa os factos que directamente se relacionam
com problemas de decisão económica.
Exemplo: uma reportagem sobre os planos de uma empresa pode
ser caracterizada como matéria jornalística económica
e/ou de negócios e terá, o seu papel numa acção
de decisão para determinado operador económico,
concorrente. Pela predominância da economia na sociedade,
dificilmente um facto - e qualquer tipo de facto – não
apresenta alguma ligação com ela (a economia).
Segundo o prof. Hélio Schuch, quando o jornalismo explica
os meandros da economia está a ocorrer uma sucessão
de relações causa – efeitos, e sob este enfoque
o facto económico induz a produção de matéria
jornalística, que é difundida para a audiência.
As informações produzidas pelo jornalismo económico
auxiliam a tomada de decisão económica. Essa decisão
gera novos factos. Esse conjunto de relações entre
os elementos do sistema de informação forma um
laço de realimentação.
Resumindo, o jornalismo económico fornece informações
para a tomada de decisões, que por sua vez tem implicações
na acção económica (factos económicos),
que funciona nestes moldes:

Dentro de um ambiente económico competitivo o jornalismo
torna-se uma fonte poderosa para informações necessárias
à tomada de decisões económicas. Isso porque
as informações jornalísticas possibilitam
a formação de estratégias económicas
pelos operadores económicos. Evidentemente cabe a cada
operador económico a escolha das formas de uso destas
informações. Mas, é lícito concluir
que o uso do jornalismo proporciona vantagens competitivas num
ambiente de negócios.
PONTE ENTRE FONTES E O CIDADÃO COMÚM
O jornalismo económico deve seguir as regras básicas
no que diz respeito à redução de qualquer
assunto técnico a altura da compreensão do cidadão
comum. Ele deve transmitir de forma clara ao grande público
as complexas informações económicas. O
jornalismo económico deve fazer a ponte (entre as fontes
e o cidadão comum).
Os assuntos de natureza económica, a primeira vista,
para a maioria das pessoas parecem complexos mas, na verdade,
eles são muito interessantes. É preciso saber
apreciar a informação económica para mostrar
com agrado aos outros. Esta não é uma tarefa fácil.
Mesmo para os economistas, pois há muitos que não
conseguem escrever para o público comum.
Uma boa informação económica requer uma
intervenção exigente e qualificada do jornalista,
das fontes e até mesmo do leitor.
Tal como defende Sidnei Basile, o jornalismo económico
bem feito deve ser simples, directo, preciso, claro, objectivo,
centrado no público – alvo, agradável e inteligível.
Contudo, o jornalismo económico não deve ser meramente
informativo, como acontece, em grande escala, entre nós,
em Angola.
Informar, explicar e analisar devem constituir preocupações
permanentes dos jornalistas económicos angolanos, que
precisam estar cada vez melhor preparados para o exercício
da sua actividade profissional.
Para os jornalistas que abordam questões económicas,
a especialização assume-se como um selo, uma garantia
de qualidade.
IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTÍNUA
DOS JORNALISTAS
Por esta razão, creio que a Associação
de Jornalistas Económicos de Angola (AJECO) tem toda
a legitimidade de continuar a lutar para promover seminários
e outros tipos de acções de formação
em vários sectores da economia, para que os jornalistas
possam compreender a evolução do pensamento económico,
a terminologia da ciência económica, possam abordar
as questões ligadas a actual linguagem da cobertura jornalística
nesta área e a forma mais adequada para traduzir, ou
descodificar a linguagem económica no jornalismo.
Assim se reforçarão os objectivos de proporcionar,
aos profissionais da área da comunicação,
uma visão básica dos conceitos económicos,
tanto cognitivos como práticos para o manuseamento dos
conhecimentos adquiridos na área económica e para
desenvolver reflexões a partir de práticas sociais
que evidenciam a economia também por meio de questões
políticas e culturais.
Aos bons exemplos que tivemos no passado com a realização
dos seminários sobre diamantes e sobre petróleos
organizados em parceria com a De Beers e com a Sonangol Pesquisa
e Produção, respectivamente, juntam-se agora os
cursos de jornalismo Aduaneiro (o último encerrado há
uma semana) em parceria com a Elo Comunicação,
com o apoio da Direcção Nacional da Alfândegas,
que permitiu a especialização de 43 profissionais
da Comunicação Social. Acresce-se, ainda, os seminários
sobre Jornalismo Económico realizados sob a égide
da AJECO em Luanda, no Huambo e em Cabinda com o apoio dos respectivos
Governos Provinciais e do Ministério da Comunicação
Social. E ainda o seminário sobre a execução
do Orçamento Geral do Estado (OGE), promovido pela AJECO
em parceria com a Direcção Nacional do Orçamento
do Ministério angolano das Finanças.
Mantenho a sugestão apresentada na Conferência
de 2003, denominada “O Jornalismo Económico e os Desafios
do Pós-Guerra”, no sentido da AJECO empenhar-se na criação
de um prémio Nacional de Jornalismo Económico
com o objectivo de estimular a criatividade e o rigor técnico
– profissional dos jornalistas que abordam matérias de
economia. Para o efeito torna-se indispensável o apoio
e cooperação de outras entidades como o Ministério
da Comunicação Social, a Associação
dos Economistas Angolanos, as Associações Empresariais,
as Associações de Consumidores e os Órgãos
de Direcção da Economia do País.
São apenas propostas, pois nesta fase do pós-guerra
e da Reconstrução Nacional em Angola é
necessário reflectir e ponderar sobre meios e formas
através das quais os jornalistas possam desenvolver habilidades
e competências no domínio da economia.
BIBLIOGRAFIA
- Medina, Cremilde. “Noticia: um produto a venda – jornalismo
na sociedade urbana industrial”. 2ª edição.
São Paulo. Summus, 1998.
- Schuch, Hélio A. Jornalismo – matéria jornalística
e fato económico, disponível em http://www.portal-RP.com.br/bibliotecavirtual/jornalismo0066.htm
- Ramos, Ana Virgínia Moura. “Média e política:
as barreiras para a democratização da comunicação
no Brasil”.
- Kunczik, Mitchel. Conceitos de jornalismo Norte e Sul: Manual
de comunicação. São Paulo: EDUSP, 1977
- Bragança, Tó. “O papel do jornalismo económico
como promotor do bem estar social”. Comunicação
apresentada em workshop da AJECO, 2003. Disponível em
http: //www.jornaldeangola.com/artigo.pup?ID=12738
- Sarcinelli, José António. Jornalismo económico:
a sedução do poder.
- Basile. Sidnei. Elementos do jornalismo económico.
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*Comunicação apresentada na 3ª
Conferência da AJECO, realizada no dia 12/08/05, em Luanda,
sob o tema genérico “O jornalismo e os desafios sócio-económicos
de Angola”.
** TÓ BRAGANÇA, Bacharel em Jornalismo
pela Faculdade de Jornalismo da Escola Superior Político-Militar
de Lvov (Ucrânia), Graduado em Ciências Políticas
pela Faculdade de Relações Internacionais da Universidade
Marxista – Leninista de Lvov (Ucrânia) e Licenciado em
Direito Internacional, com distinção, pela Universidade
Estatal Aberta de Moscovo.
É membro – fundador e 1º. Secretário Geral
da Associação de Jornalistas Económicos
de Angola (AJECO). É o Adido de Imprensa e de Cultura
da Embaixada da República de Angola na Federação
da Rússia.
Sector da imprensa i cultura,
12.08.2005
Embaixada de Angola na Rússia, 2005
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